25 Junho 2014

3 D printing in praise of Minecraft

O esqueleto, o ocelote e o creeper foram os três passear, o creeper fez CA-BUM e os outros foram ao ar!


Impressões 3 D feitas cá em casa :)

06 Junho 2014

Anjos Rebeldes - Libba Bray

Depois de Uma Grandiosa e Terrível Beleza, finalmente o segundo livro da trilogia Gemma Doyle.
Inglaterra vitoriana ainda saudosa da Índia, magia e poder feminino :)






Tradução minha!

12 Maio 2014

Dorothy Hodgkins, nobelized and doodled :)

Dorothy Hodgkin photographed in 1947

Dorothy Hodgkin photographed in 1947, the year she was elected to the Royal Society. Photograph: Godfrey Argent Studio, used with permission
2014 has been declared the International Year of Crystallography by Unesco (the United Nations Educational, Scientific and Cultural Organisation). It marks the centenary of the award of the 1914 Nobel Prize in Physics to Max von Laue, swiftly followed the next year by a further Nobel Prize in Physics for the work done by father-and-son team William Henry and William Lawrence (known as Lawrence) Bragg. These two prizes were key staging points in the development of x-ray crystallography, a technique that has done so much to unravel the structure of matter at the atomic level.
Exactly 50 years after the award of the prize to von Laue, Dorothy Hodgkin won the 1964 Nobel Prize in Chemistry for her work in establishing the structures of the vitamin B12 and penicillin, also via x-ray crystallography. During those 50 years the technique had evolved a long way. Initially only metals and compounds containing just one or two types of atom – compounds such as rocksalt (table salt) – could be understood. By the time Hodgkin was working it was possible, if difficult, to analyse huge biological molecules with all their complexity of packing.
Crystallography concerns the study of the regular packing of atoms and molecules in a crystal. Fellow Occam's Corner blogger Stephen Curry has posted videos (here and here) explaining the approach in some detail. In essence, x-rays, with wavelengths much smaller than interatomic spacings, are able to scatter off the atoms in the crystal. Subsequent analysis of the distribution of high intensity spots that makes up the diffraction pattern can then be used to reveal the underlying symmetry. Britain has a long tradition in crystallography, with many famous names (and associated Nobel Prizes) working in this field, including the Bragg father-and-son team and Crick and Watson. There is a genealogy of crystallographers, dating all the way from the two Braggs, passing through the socialist scientist Desmond Bernal to Dorothy Hodgkin and even later Aaron Klug (who won the Nobel Prize in Chemistry in 1982), with Cambridge University, Birkbeck and Kings Colleges and the Royal Institution all playing important roles as host to key experiments.
During the years from the 1930s onwards that Hodgkin was carrying out her research, all analyses had to be carried out without the benefit of computers. This meant that the calculations required to move from a hypothesised model of the crystal packing to a prediction of the resulting diffraction pattern had to be carried out laboriously by hand. The larger the molecule, the harder the calculations as the more terms there were to add in. This needed to be an iterative process since if, as was usually the case, the initial hypothesised structure proved not to lead to a diffraction pattern consistent with the experimental evidence, this could mean repeating huge sets of calculations until a good match was found. For a molecule such as insulin – which Hodgkin spent more than 30 years studying on and off – the complexity of the molecule (and hence the calculations), coupled with the experimental challenges of growing large enough single crystals suitable for the x-ray technique, presented formidable challenges. In fact, though it was an aspiration of Hodgkin's to unravel its structure from as early in her research career as 1934, its structure defeated even her prodigious skills until 1969, some years after she had already won the Nobel Prize.
Dorothy Hodgkin was one of several women who worked with Bernal in Cambridge and London during the inter-war years. Others included Helen Megaw, Dorothy Wrinch and Olga Kennard (who is still alive). In turn, during Hodgkin's long research life, she supervised or collaborated with a host of other women. Crystallography still seems to have something much closer to gender balance in its teams than many other branches of physics and chemistry, probably significantly facilitated by the way both Bernal and Hodgkin nurtured female talent passing through their laboratories, something that could not be taken for granted among senior scientists. In Hodgkin's case key women who themselves went on to have long and successful scientific careers included Clara Shoemaker (nee Brink), Rita Cornforth (married to the future Nobel Prize winner John Cornforth with whom she collaborated throughout her life), Barbara Low, Cecily Darwin Littleton, Jenny Pickworth Gluster, Eleanor Dodson  and Judith Howard. Of these, the last three are still alive and active. Less successful a scientist, who worked briefly with Hodgkin, was Margaret Roberts, better known to the world as Margaret Thatcher.
Hodgkin was a woman not prepared to let her gender get in the way of her work. When married, but still working under her maiden name of Crowfoot, she presented a key paper at a major meeting at the Royal Society in 1938 when eight months pregnant. Another long-term collaborator, Nobel Prize winner Max Perutz, referred to her appearance at this meeting in his speech at her memorial service: "Dorothy lectured in that state as if it were the most natural thing in the world, without any pretence of trying to be unconventional, which it certainly was at the time."
However, the rest of the world may have been less willing to forget her gender. When, in 1964, she was awarded the Nobel Prize, did the press regard her in the same light as they would a man in the same position? Absolutely not. The Daily Telegraph announced "British woman wins Nobel Prize – £18,750 prize to mother of three". The Daily Mail was even briefer in its headline "Oxford housewife wins Nobel". The Observer in its write-up commented "affable-looking housewife Mrs Hodgkin" had won the prize "for a thoroughly unhousewifely skill: the structure of crystals of great chemical interest".
Dorothy Hodgkin remains the only British woman ever to win one of the Science Nobels. It would be nice to believe that next time a British woman wins a Nobel Prize in Chemistry her domestic status will not be foremost in the journalists' minds.

23 Abril 2014

Saber comer é pura Informação



E se o seu organismo não reconhecer aquilo que você come como um alimento?

Defende-se, inflama-se, fica doente. É o que fazem muitos dos produtos que levamos à boca. Cristina Sales, médica e especialista em alimentação, garante que na origem da maioria das doenças que afetam o homem do século xxi está o que comemos e o modo como o fazemos. É que os alimentos são veículos de comunicação: dizem às células como devem comportar-se.

Precisamos de mudar a forma como nos alimentamos?

É obrigatório que o façamos porque a alimentação que a população dos países ocidentais, incluindo Portugal, passou a fazer nos últimos cinquenta anos é o que está na origem da maior parte das doenças endócrinas, metabólicas, autoimunes, degenerativas e alérgicas. As novas epidemias devem-se sobretudo aos estilos de vida e à alimentação que fazemos desde o pós-guerra.

A alimentação é decisiva para a saúde e o bem-estar mas está a provocar doenças e a aumentar a mortalidade precoce?

A geração dos nossos filhos terá uma esperança de vida mais reduzida do que a nossa por causa dos estilos de vida e da alimentação. Primeiro, os produtos altamente processados pela indústria alimentar conduzem a uma desnutrição em nutrientes fundamentais e ingerimos uma grande quantidade de calorias vazias. Segundo, são muito diferentes dos alimentos originais e o organismo não sabe lidar com eles, não os reconhece como alimentos. Depois, há uma sobrecarga tóxica inerente à alimentação que provém dos agroquímicos (da produção), dos conservantes, corantes e adoçantes que são adicionados para preservar os produtos durante mais tempo e para os manter bonitinhos.

São alimentos para ver…

Os produtos que nos chegam ao prato foram feitos para vender e não para comer. Não têm nada que ver com os alimentos que ingerimos e que nos fizeram viver e sobreviver ao longo de milhões de anos. Esta mudança ocorreu tão depressa que o organismo não está adaptado para gerir, digerir e assimilar estes produtos, pelo contrário, vê-os como substâncias estranhas e reage, inflamando-se.

Como é que podemos livrar-nos dessa teia?

As escolhas alimentares são condicionadas pela publicidade, as pessoas não são ensinadas a escolher. Quem é que é ensinado a consumir maçãs ou laranjas? Ninguém. A informação que passa de forma subliminar através dos anúncios da TV e dos jornais é que se deve beber sumo de maçã e de laranja. Mas se alguém ler os rótulos das embalagens verifica que contém imenso açúcar, frutose, acidificantes, etc., e o que falta é a maçã e a laranja. É preciso informar, ensinar e consciencializar a população.

A atitude da indústria alimentar tem de mudar?

No global sim, mas também depende do que a indústria faz. A conservação de alimentos através da congelação, por exemplo, é perfeita. Os legumes congelados são uma ótima opção, por vezes mais económica, e chegam ao consumidor mais frescos e com mais nutrientes do que os que são mantidos durante cinco ou seis dias nas cadeias de distribuição. Já quando falamos de alimentos que têm de levar uma quantidade enorme de aditivos para serem consumidos – é o caso das carnes de muito má qualidade e dos aproveitamentos que se fazem dos restos dos mariscos – é diferente. Sempre que tivermos de dobrar a língua muitas vezes para conseguir ler o que está escrito nos rótulos é porque não é comida. Não compre. Será qualquer coisa que do ponto de vista nutricional, químico e metabólico está muito longe do alimento original.

Está a falar de alimentos que duram ad eternum?

Por exemplo. Como é que duram? Fizeram-se estudos com hambúrgueres e batatas fritas – uns feitos em casa, com carne picada, e batatas que foram descascadas, outros com produtos processados e embalados – e verificou-se que ao fim de trinta ou quarenta dias alguns hambúrgueres se mantinham iguaizinhos. Não se degradaram, ao contrário dos que foram feitos em casa, que estavam estragados três dias depois. Ora alguém acha que uma coisa daquelas pode ser comida?

Quando ingerimos produtos desse tipo como é que o organismo reage?

Defende-se e inflama-se ou agarra naquelas coisas que não considera importantes e arruma-as nos depósitos de lixo, que são as células gordas. Estas, além de serem o nosso reservatório de energia, são também o depósito de substâncias tóxicas que o organismo não metaboliza ou não utiliza para impedir que entrem nos circuitos mais nobres. Esta acumulação de lixo cria bloqueios bioquímicos e alterações metabólicas que impedem as células de trabalhar em condições. Hoje ninguém sabe que consequências é que isto tem para o cérebro e o sistema imunitário e para o bom trabalho hepático e digestivo. Os circuitos da toxicidade são cruzados – se uma pessoa come de vez em quando um gelado, um iogurte, umas bolachas ou um sumo que tem um determinado corante é uma coisa, mas se o faz com regularidade, ao fim de seis meses já ultrapassou as doses suportáveis e entra em sobrecarga tóxica.

E o que é que acontece?

Veja-se o ácido fosfórico, um aditivo que está presente em alimentos de consumo diário, como os cereais de pequeno-almoço e os refrigerantes. Quem ingere estes produtos todos os dias, além de ficar com o sistema acidificado e perder cálcio (uma compensação do organismo que depois predispõe à osteoporose), também fica numa excitação – o ácido fosfórico é um estimulante cerebral e é óbvio que uma criança que de manhã come um prato de cereais chega à escola e não para quieta. O ácido fosfórico altera o comportamento e em determinadas concentrações é neurotóxico.

Como é que os alimentos atuam no organismo?

Os alimentos servem para construir tecido, osso, órgãos, etc., e para nos darem energia, mas o que as ciências da nutrição têm vindo a mostrar é que os alimentos são essencialmente moduladores do comportamento celular – são informadores das células, dizem-lhes como devem funcionar. Imagine que tem um prato com uma determinada quantidade de proteínas (peixe ou carne) e outra de hidratos de carbono. Só a proporção entre a  quantidade de carne e batatas ingeridas vai informar o organismo da necessidade de produzir uma hormona ou outra, neste caso insulina (que é a hormona do armazenamento) ou glucagon (a hormona do desarmazenamento). 

Explique lá melhor…

Se comer mais proteínas do que hidratos de carbono vai produzir mais glucagon e induzir o metabolismo a ir buscar gordura acumulada para disponibilizar às células, ou seja, vai desarmazenar. Mas se comer mais arroz, massa ou batatas vai dar uma ordem em sentido contrário, vai dizer que é precisa mais insulina e vai acumular gordura.

Mas se as pessoas forem ativas podem queimar essa energia…

Isso é outra coisa, o que importa reter é que na proporção hidratos de carbono/proteínas a quantidade de açúcar que chega aos sensores do tubo digestivo aciona imediatamente uma ordem de libertação de glucagon ou de insulina. Se a indicação é libertar glucagon, o organismo vai usar a gordura acumulada, se a ordem for para libertar insulina, o organismo vai armazenar gordura. Isto é pura informação.

Quem quer perder peso tem de saber isso, certo?

Se a pessoa tiver consciência da informação que dá ao corpo tem muito mais capacidade para o modular. Outro exemplo. A leptina, a hormona que sinaliza o apetite, que depende sobretudo do ritmo solar. Ora, uma pessoa equilibrada, que durma de noite e trabalhe de dia, produz mais leptina de manhã (e tem apetite) e ao fim do dia produz menor quantidade (o apetite diminui). Se uma pessoa comer muito à noite estraga este equilíbrio e a certa altura está sempre com fome porque inutilizou os sensores da leptina. Nós somos mamíferos e de noite, quando dormimos, não precisamos de comer. O nosso corpo tem a sabedoria para sinalizar o apetite em função da hora do dia – comer muito à noite estraga essa sinalização, faz ter apetite a toda a hora.

A alimentação é bioquímica?

Os alimentos são veículos de comunicação. Se fizer uma refeição de gordura saturada – uma sopa com um chouriço e depois um cozido à portuguesa – dá um sinal à cárdia (esfíncter entre o estômago e o esófago) para alargar e é assim que ocorrer o refluxo gastroesofágico e aparece a azia. A gordura saturada é um sinal que se dá à cárdia para se manter aberta. Se no dia seguinte a mesma pessoa só comer azeite ou gorduras de peixe não terá azia. Sabe porquê? É que o azeite ajuda a fechar a cárdia. Este é outro exemplo que ilustra a importância do conhecimento. Pessoas mais esclarecidas fazem escolhas mais acertadas.

A forma como nos alimentamos dita o comportamento das células?

Quando ingeridas, as gorduras saturadas e as gorduras ómega 6 (provenientes essencialmente dos animais e dos cereais, sobretudo da soja) são a estrutura a partir da qual as células fazem substâncias pró-inflamatórias. As gorduras ómega 3 – provenientes das algas e dos peixes – são as que permitem que as células produzam substâncias anti-inflamatórias. Se uma pessoa tem uma doença inflamatória (por exemplo, uma alergia, artrite ou doença autoimune) e come muita gordura saturada, esta vai funcionar como substrato para a fogueira e agravar o processo inflamatório da doença que já tem. Ao contrário, se a pessoa ingerir gorduras ómega 3, vai ser capaz de construir extintores de incêndio para que as suas células produzam anti-inflamatórios.

Há outros exemplos?

Se uma pessoa tem tendência depressiva porque não consegue produzir serotonina em quantidade suficiente, deve comer os alimentos que têm os aminoácidos precursores da serotonina – a carne de peru, por exemplo, é extremamente rica em triptofano, que é um precursor da serotonina. Se a pessoa souber isto, no outono, quando o tempo fica mais escuro, porque é que não há de comer mais carne de peru em vez de carne de vaca?

A alimentação e o processo digestivo podem agravar ou controlar certas doenças?

Sim, se uma pessoa tem uma predisposição genética para a diabetes, Alzheimer, etc., a doença só vai manifestar-se se o gene for ativado. Mas o que as pessoas precisam de saber é que os genes também podem ser desativados – é a modulação genética através da nutrigenética. Como? O que ativa ou suprime a expressão dos genes é a presença de determinados fitoquímicos, substâncias que também se encontram nos alimentos.

Podemos dizer que há alimentos anti-inflamatórios?

Claramente. Os que têm ómega 3 – sardinha, cavala e os peixes das águas frias do Norte. Algumas substâncias vegetais dos legumes (tomate), frutos (quivi) e especiarias (a curcuma, que confere a cor amarela ao caril) também têm efeito modulador de alguns genes pró-inflamatórios. Mas alimentos anti-inflamatórios devem ser consumidos, independentemente de se ter doença ou não. Hoje sabe-se que um cérebro com Alzheimer já está inflamado vinte anos antes da manifestação da doença. Todas as doenças degenerativas começam com processos inflamatórias, as autoimunes também. Não conhecemos é as causas.

Há substâncias que devem mesmo ser eliminadas da alimentação?

Os aditivos químicos. Falo das substâncias químicas que não são alimentos, que são usadas pela indústria alimentar e podem ser geradoras de inflamação em contacto com o organismo. A vida corrente não nos permite evitar todos os aditivos, mas se estivermos despertos para esta realidade teremos mais atenção, faremos escolhas mais saudáveis e ingerimos menores quantidades.

E as gorduras?

As gorduras ómegas 6, que se encontram nas margarinas e nos óleos e que são provenientes da soja, do milho e do amendoim, são claramente pró-inflamatórias. Precisamos de ómega 6 no organismo, mas em quantidades muito reduzidas. O problema é que a cadeia alimentar atual é geradora de uma alimentação extraordinariamente rica em ómega 6 e pobre em ómega 3. Basta pensar que, dantes, as galinhas e as vacas comiam erva, agora comem rações provenientes da soja; os peixes comiam algas, agora comem rações também com soja. Os produtos alimentares que usamos são essencialmente da linha produtora de ómega 6.

Nos supermercados temos centenas de alimentos à escolha. Precisamos de tanta coisa?

Não precisamos de tantos produtos alimentares, necessitamos é de maior diversidade alimentar. Essas centenas ou milhares de produtos que vemos nas prateleiras são provenientes de quatro ou cinco alimentos – cereais, lácteos, açúcares e gorduras – e da indústria de processamento. Se olharmos para a quantidade de legumes, frutos, oleaginosas e peixe que as pessoas comem no dia a dia verificamos que não há variedade alimentar, as pessoas comem quase sempre o mesmo. Já pensou na variedade de saladas que é possível fazer? Mas se perguntar a alguém qual é a que come diz-lhe alface e tomate.

No supermercado fazemos escolhas condicionadas pela publicidade e o marketing. Como podemos fugir a isso?

Só vai mudar com a informação dos cidadãos. Nos países do Norte da Europa, onde a população é muito mais esclarecida, não encontramos nos supermercados esta quantidade enorme de alimentos-lixo – basta verificar que o espaço ocupado por refrigerantes, cereais de pequeno-almoço e óleos alimentares é muito reduzido. Exatamente o oposto do que se passa em Portugal.

A crise económica e as dificuldades das famílias podem piorar ainda mais a alimentação dos portugueses?

Também pode acontecer o contrário. Numa altura em que todos sentimos uma necessidade absoluta de gerir muito bem os orçamentos familiares, devemos fazer listas de compras de forma racional. E antes de comprar certos produtos alimentares, é obrigatório perguntar: «Preciso mesmo disto? Vale a pena? Faz-me ficar mais forte, vital, inteligente? Tem mais nutrientes?» Ocasionalmente, podemos comprar os tais alimentos que não comportam nenhum valor acrescentado mas que agradam ao paladar, mas isso é num dia de festa.

De que produtos podemos e devemos mesmo prescindir quando vamos às compras?

Devemos tirar os refrigerantes, cereais com açúcar, pastelaria, óleos e margarinas – para cozinhar devemos usar o azeite, só azeite. Todos os refrigerantes são um estrago de dinheiro – as pessoas devem beber água. Os cereais com açúcar (os de pequeno-almoço e as bolachas) também são prescindíveis – devemos escolher cereais completos, integrais, que até são mais baratos. Compare-se o preço de uma caixa de cereais de pequeno-almoço com o de um pacote de flocos de aveia, que são altamente nutritivos. A aveia é muito mais barata e muito nutritiva.

Mas comprar carne magra e peixe gordo, frutos e hortaliças é muito mais dispendioso…

Mas há estratégias que podem ser implementadas. Uma é comprar carne de melhor qualidade e comer menos quantidade e menos vezes. É preferível comer carne três vezes por semana em vez de comer carne gorda todos os dias. Além disso, toda a gente ganha se fizer uma alimentação vegetariana dois dias da semana e em vez da carne comer, por exemplo, arroz de feijão ou grão-de-bico com massa. Se se acrescentar hortaliças, ervas aromáticas e azeite, podemos dizer que são refeições perfeitas. Menos carne, mas de melhor qualidade; mais peixe (incluindo cavala e sardinhas, frescas ou em conserva de azeite) e ovos (podem ser consumidos três ou quatro por semana) são opções a privilegiar.

Não retira massa, arroz ou batatas ao seu carrinho de compras?

Não, mas reduzo as quantidades ingeridas. No prato devemos ter pequenas porções de massa, arroz ou batatas e maior quantidade de hortaliças, legumes e leguminosas.

Fala-se muito na responsabilidade social da indústria farmacêutica, que ganha dinheiro à custa do tratamento dos doentes. E quanto à responsabilidade social da indústria alimentar, que ganha dinheiro atirando-nos para a doença?

A indústria alimentar está a fazer maus alimentos, mas a verdade é que as pessoas só compram o que querem. Sei que quanto menor é a informação maior é a permeabilidade ao marketing, mas o caminho também se faz através da informação dos cidadãos e da sua responsabilização. Custa-me imenso ver nas caixas de supermercado que as pessoas aparentemente mais pobres também são as que levam os carrinhos repletos de produtos inúteis e nefastos para a sua saúde. É preciso repensar a política alimentar e inovar.

QUEM É CRISTINA SALES E O QUE É A MEDICINA FUNCIONAL INTEGRATIVA?

A medicina que Cristina Sales exerce dá pelo nome de medicina funcional integrativa – reúne diferentes disciplinas, profissionais e recursos terapêuticos, é centrada na pessoa e procura entender onde estão os desequilíbrios que desencadeiam a doença. Para uns, trata-se de uma abordagem vanguardista, mais adaptada aos pacientes, ao tratamento e controlo das chamadas doenças da civilização. Para outros, a prática médica de Cristina Sales ainda gera alguma desconfiança. Quem não receia são os doentes que a procuram – sobretudo pessoas que vivem com doenças crónicas (alergias, enxaquecas, fadiga crónica, doenças inflamatórias, endócrinas, metabólicas e autoimunes) e que não encontraram resposta satisfatória para os problemas que as afetam. Uma consulta com a médica do Porto dura uma hora e não se marca de um dia para o outro. Porque os pacientes já são muitos e porque as palestras e conferências em que Cristina Sales é oradora convidada também são frequentes.

21 Março 2014

Happy Birthday, Gary Oldman!


I am a freelance translator / J'habille de mes mots la pensée des autres (les mots sages de Bérengère Viennot from Slate.fr)

Il y a quelques semaines je suis allée chez un médecin que je vois environ tous les deux ans. Après la consultation, il m’a demandé comme à chaque fois: «Alors, vous faites toujours des traductions?» Comme je suis très bien élevée (ou engoncée dans un carcan social qui m’interdit la franchise face à toute personne pourvue d’un minimum d’autorité), d’habitude je me contente de répondre «Oui oui, je suis toujours traductrice».
Etait-ce la conjonction des étoiles, le syndrome prémenstruel, la plénitude de la coupe, l’énervement d’avoir attendu une heure dans la salle d’attente? J’ai explosé en vol.

Je l’ai regardé droit dans les yeux et j’ai répondu:
«Et vous, vous faites toujours des touchers rectaux? Et votre plombier quand vous le croisez dans la rue, vous lui demandez “Alors, vous débouchez toujours des chiottes?” Et à votre bouchère: “Alors, vous découpez toujours des steaks?” Je ne fais pas des traductions, je suis traductrice.»
En rentrant chez moi, j’ai rageusement jeté à la poubelle l’ordonnance de Xanax qu’il a insisté pour me prescrire.
Cher lecteur, toi qui d’habitude me lis sans le savoir, aujourd’hui je vais te parler en mon nom.
Grâce à Slate qui a la correction de faire ce qui est loin d’être une évidence dans le métier, tu as peut-être déjà lu mon patronyme en bas de traductions, et si ce n’était le mien, c’était donc celui d’un(e) collègue. D’habitude, j’habille de mes mots la pensée des autres. Aujourd’hui, parce que je suis lasse d’être considérée comme une oisive qui bosse deux heures par jour en pyjama, qui peut garder le petit dernier de sa sœur puisqu’elle est à la maison, et qui n’a besoin que du Harrap’s pour travailler tout en frémissant de terreur en voyant s’avancer le spectre des logiciels de traduction, je prends la parole, pour t’expliquer ce qu’est un traducteur indépendant. Ou plutôt, ce qu’il n’est pas.

Un traducteur indépendant n’est pas un dictionnaire

Un dictionnaire, c’est un livre (ou un CD, ou un site) avec des listes de mots et leurs équivalents dans une langue que vous ne parlez pas, ou mal.
Un traducteur, c’est un humain qui travaille avec des dictionnaires, alors que l’inverse n’est pas vrai. Certes, il sait un tas de mots que vous ne connaissez pas, mais tout comme l’architecte ne va pas vous sortir une brique de sa poche à l’apéro, il ne peut pas non plus vous réciter le Larousse anglais-français sur commande.

Un traducteur indépendant n’est pas un prof

Un prof, c’est quelqu’un qui a décidé de passer ses journées avec des cerveaux pas tout à fait finis, logés dans des enveloppes boutonneuses et hormonalement dysfonctionnelles, et qui a étudié pour savoir comment leur faire rentrer une langue étrangère dans le crâne.
Alors qu’un traducteur est le plus souvent misanthrope, allergique à l’espèce humaine, et la plupart du temps travaille chez lui, la porte fermée à double tour et les fenêtres calfeutrées, ne répondant au téléphone que pour quémander un délai à ses clients ou un rabais à l’Urssaf.

Le traducteur indépendant n’est pas juste doué en langues

Le métier de traducteur ne consiste pas à parler une langue étrangère à la perfection. Ça, les étrangers le font très bien (et même beaucoup mieux), et ils ne sont pas tous traducteurs pour autant.
Le traducteur recrée un texte écrit en étranger dans une langue que ses compatriotes (c’est important) peuvent comprendre. Il lit le texte, l’analyse, le comprend, le déverbalise, et recrache le tout dans un français parfait ou quasi. Il transpose et adapte à la culture d’arrivée. Il ne traduit pas des mots, mais des idées, et c’est pour ça qu’il ne traduit pas
«The guy looked hairy at the heel. He grasped her phone and did a runner. Never mind, she thought, I have enough at home to cobble dogs with»
Par:
«Le gars avait l'air velu au niveau du talon. Il saisit son téléphone et a fait un coureur. Jamais l'esprit, pensait-elle, j'ai assez à la maison à bricoler avec des chiens.»[1]

Le traducteur indépendant n’a pas peur de Google Trad

Relisez le paragraphe précédent. C’est Google Trad qui l’a commis.

Le traducteur indépendant n’est pas disponible

Quand le traducteur se reproduit, il a besoin, à l’instar des autres travailleurs, d’un mode de garde pour sa progéniture. Non, on ne peut pas traduire un article sur la guerre en Syrie, une plaquette publicitaire, un guide de pilotage ou le mode d’emploi d’une ogive nucléaire avec un bébé hurlant sur les genoux. Ni au square. Ni en touillant la purée. Ni en étant interrompu toutes les cinq minutes. Si garder un enfant n’était pas aussi un travail, tout le monde emmènerait le sien au bureau.

Un traducteur indépendant n’est pas un interprète

Le traducteur traduit des documents écrits. L’interprète travaille à l’oral. Ce ne sont pas les mêmes parties du cerveau qui sont sollicitées, les techniques sont différentes, et arrêtez de prendre cet air déçu quand on vous dit qu’on ne travaille pas en cabine avec un micro et des écouteurs. Non, on n’est pas à l’ONU, mais nous, si on veut, on travaille en pyjama.

Un traducteur indépendant ne gagne pas d’argent de poche

Le traducteur indépendant doit gagner sa croûte autant que n’importe quel salarié, sans jamais avoir la certitude d’y arriver tant il est soumis aux caprices des clients. «Tu bosses beaucoup, mais tu dois gagner plein de sous c’est super!» est une phrase récurrente dans la bouche de non-traducteurs bien intentionnés. La vérité ressemble davantage à:
«Je bosse beaucoup, ce mois-ci avec de la chance en travaillant 10 heures par jour je vais peut-être atteindre les 2.500 euros. Brut.»

Le traducteur indépendant ne veut pas bosser en agence

En tout cas pas dans n’importe laquelle. Des agences comme Textmaster n’hésitent pas à rémunérer leurs traducteurs un centime le mot. Sachant qu’un traducteur traduit en moyenne 2.000 mots par jour (recherches et relecture comprises), en travaillant tous les jours sauf le week-end, il peut espérer un peu plus de 400 euros par mois à ce tarif.
Quel autre métier est rémunéré 20 euros brut la journée? (J’allais dire à bac +5, mais même à bac moins cinq, personne ne mérite d’être payé ça). Si une agence vous propose de vous livrer une traduction à moins de dix centimes du mot, sachez qu’un traducteur et ses enfants mourront de faim à la fin du mois (c’est moins attendrissant qu’un chaton, mais c’est grave quand même).

Un traducteur ne travaille pas dans n’importe quel sens

Un traducteur consciencieux travaille toujours vers sa langue maternelle, qui est celle dont il saisit toute l’intelligence et dont la culture n’a quasiment aucun secret pour lui. Savoir traduire, c’est avant tout savoir écrire. Sinon, ça se sent à la lecture, en plus d’enlever le pain de la bouche des traducteurs des autres langues. Un traducteur ne travaille donc pas dans n’importe quel sens. En revanche, il peut travailler dans n’importe quelle position.
Pourquoi alors choisir une profession précaire, mal payée, mal comprise, peu valorisée, sans congés payés ni droits au chômage, et qui nécessite de longues études?
Pourquoi supporter d’être réduite à quelqu’un qui fait (des traductions) et non quelqu’un qui est (une traductrice)?
Sans doute parce que malgré tout, la liberté de traduire en pyjama et dans des positions saugrenues des textes (souvent) intéressants n’a pas de prix. My tailor is poor, but my life is rich.
Bérengère Viennot
[1] Traduction par Google Translate. En réalité il faut lire: «Le type avait l’air louche. Il s’empara de son téléphone et piqua des deux. Tant pis, pensa-t-elle, j’en ai plus qu’il ne m’en faut à la maison